O que é o Atlas Histórico Digital do Alentejo?
Paulo Eduardo Guimarães - Departamento de História- Investigador colaborador do CIDEHUS-UE


1. Âmbito e objectivos
O Atlas Histórico Digital do Alentejo (AHDA) é uma tarefa desenvolvida no CIDEHUS-UÉ no âmbito dos projectos de Reequipamento Científico “On the identity of Southern Portugal: Material Culture, Discourse and Representation” (REEQ/999/HIS/2005) e do "História do Alentejo, séculos XII-XX. Aprofundamento empíricos (POCTI/HAR/56210/2004)", dirigidos por Mafalda Soares da Cunha.
A tarefa, iniciada em finais de 2005, teve um duplo objectivo: por um lado, visou-se proporcionar aos investigadores deste Centro de Investigação os meios para elaborar a cartografia de suporte à sua produção científica tendo em vista a futura publicação duma História do Alentejo; por outro, importava divulgar esses resultados que interessam tanto à comunidade científica e académica como à própria região, em particular, à sua comunidade educativa (estudantes e professores dos ensinos básico e secundário), aos autarcas, agentes culturais e económicos.
O Atlas Histórico do Alentejo pretende constituir-se, a curto prazo, como um Serviço de Informação Histórico-Geografica (SIHG-Alentejo) livremente acessível através da Internet (Web) disponibilizando um conjunto de dados de base ou semi-tratados, de âmbito regional, recolhidos neste Centro pelos seus investigadores no âmbito do projecto sobre a história do Alentejo.

2. Conteúdos, metodologia e âmbito cronológico
A informação registada cobre o período compreendido entre o século XV e o século XX, tendo sido classificada tematicamente em 5 grandes áreas, subdividida em items mais específicos: população (demografia, povoamento do território e urbanismo), economia (distribuição da população activa por sectores de actividade, energia, agricultura, indústria, transportes, serviços), sociedade e política (associações), administração e poder, património edificado. A cartografia assentou, na maior parte, em dados quantitativos e qualitativos já disponíveis num conjunto diversificado de fontes e estudos de referência. Este processo é documentado. O utilizador, ao recuperar do sistema um mapa sob pedido, é informado tanto sobre a fonte original de informação, como sobre a qualidade dos dados representados e os estudos que lhe estão associados.

3. Implementação da tarefa AHDA. Estado actual do SIHG-Alentejo
Numa primeira fase, a implementação do AHDA em 2006 contou com a colaboração da EPRAL através da cedência de dois estagiários em SIG e com a contratação de tarefeiros para a recolha de alguns dados de base, tendo sido adquirida uma estação de trabalho e software da Esri, ArcView 3.2 e, mais tarde, ArcInfo 8.0. Foram assim produzidos até ao momento 241 "layers" (shape files) que, na maior parte, recaem sobre o século XX. Como instrumentos auxiliares do utilizador, foram também geo-referenciados e reproduzidos em ambiente digital uma selecção de cartogramas do Atlas de Portugal de Amorim Girão (1ª e 2ª edição). Por sua vez, a necessidade de criação do SIHG-Alentejo, alojada num servidor da Universidade de Évora, levou o CIDEHUS a implementar uma plataforma de "backoffice" e "frontoffice" em software aberto que permitisse uma gestão simplificada do sistema e uma recuperação da informação de forma intuitiva por parte do utilizador comum.
Esta sub-tarefa contou com a colaboração do CITI.UÉ (ver http://www.citi.uevora.pt/) e encontra-se ainda em fase de teste.

4. Perspectivas futuras
O SIGH-Alentejo constituirá um elemento de informação de base para investigadores, estudantes e agentes da região que visa complementar a informação histórica já disponível na web (veja-se o Atlas de Cartografia Histórica em http://www.fcsh.unl.pt/atlas/). Para as autarquias, agentes económicos e culturais constituirá certamente um elemento de informação passível de múltiplas utilizações. A possibilidade de descarga em ficheiro dos mapas gerados sob pedido permitirá ao utilizador adequar essa informação às suas próprias necessidades. Por outro lado, a combinação de múltiplos 'temas' permitirá iluminar algumas questões centrais no conhecimento histórico da região. Para o CIDEHUS, este será igualmente um recurso aberto a novos desenvolvimentos que espelharão as disponibilidades de informação por parte dos seus investigadores.


 

Actualizado em Julho de 2007

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